- Atualizado em 09/09/2015 8h03

Assassinatos dobram em Porto Alegre após parcelamento de salários

No período em que servidores receberam R$ 600, homicídios aumentaram 100%

José Luis Costa

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Adriana Irion

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Adriana Adamczuk recebe amigos e familiares em frente à padaria do marido Elvino Nunes Adamczuk

Foto: Lauro Alves

A violência disparou em Porto Alegre. Dados apontam que os homicídios cresceram 100% entre a última semana de agosto e a primeira de setembro. Foram 10 casos nos dias finais do mês anterior contra 20 do mês atual - período que coincide com paralisações e precariedade nos atendimentos, sobretudo na área da Segurança Pública, por causa do parcelamento de salários de servidores estaduais. As informações são do Jornal Zero Hora

Entre os casos mais emblemáticos de setembro está a morte do comerciante Elvino Nunes Adamczuk, 49 anos, que se viu na linha de tiro entre PMs e assaltantes e foi atingido por uma bala perdida. Outro episódio rumoroso ocorreu na região conhecida como Buraco Quente, no morro Santa Tereza, na Zona Sul, quando Ronaldo de Lima, 18 anos, foi morto com um tiro nas costas durante abordagem realizada por PMs. O caso revoltou a comunidade, e criminosos incendiaram dois ônibus e um lotação.

Os números mostram que, entre 1º e 8 de setembro, concentra-se a mais alta média diária de homicídios em 2015. São 3,5 casos a cada 24 horas, bem acima dos registros em janeiro (média de 2,2 mortes por dia). Naquele mês, a Capital viveu momentos de pânico com uma guerra declarada entre traficantes, envolvendo os grupos de Alexandre Goulart Madeira, o Xandi, 35 anos, eCristiano Souza da Fonseca, o Teréu, 32 anos. Curiosamente, os dois foram executados longe de Porto Alegre - Xandi, em uma casa de veraneio em Tramandaí, no Litoral Norte, e Teréu no refeitório da Penitenciária de Alta Segurança de Charqueadas.

Um comparativo dos números do primeiro semestre revelou que, proporcionalmente ao número de habitantes, Porto Alegre teve o dobro de homicídios do registrado na Capital do Rio de Janeiro e o triplo de assassinatos na capital paulista - as duas maiores cidades do país.

Além da paralisação de serviços pela Polícia Civil e a dificuldade de patrulhamento pela BM, há outro componente que agrava a crise na segurança. Cerca de 2,3 mil apenados do regime semiaberto, entre traficantes, homicidas e assaltantes estão em prisão domiciliar ou em casa usando tornozeleira eletrônica por falta de vagas em albergues na Região Metropolitana. O Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa foi procurado para comentar o assunto, mas delegados evitaram falar porque há uma orientação da associação da categoria para não conceder entrevistas.

No final de agosto, ao apresentar o planejamento de trabalho em uma reunião na Assembleia, o secretário Wantuir Jacini, da SSP, reconheceu que a crise financeira do Estado iria "impactar na proteção à sociedade".

Zero Hora
 
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