- Atualizado em 16/07/2017 16h47

Com avanço de facções, Tramandaí registra maior número de homicídios da história em 2017

Já são 34 vítimas de homicídio este ano; em todo 2016, foram 27

Foto: Estevão Pires /RBSTV

O planos de expansão para o Litoral Norte das facções criminosas da Região Metropolitana faz com que Tramandaí tenha, em 2017, o ano mais violento de sua história. O município de pouco mais de 47 mil habitantes tem 34 vítimas de homicídio no ano - sendo que quatro delas foram assassinadas na noite de ontem, em uma chacina. O número supera todo o ano passado, quando 27 foram mortos. 

Os sete primeiros meses de 2017 foram tão violentos que superaram o número de vítimas por ano em Tramandaí desde 2002 - quando começou a média histórica disponibilizada pela Secretaria de Segurança Pública. 

O delegado Paulo Perez, titular da delegacia de Tramandaí há 17 anos, afirma que está sendo difícil conter o avanço das quadrilhas, e que a projeção para os próximos meses não é boa. 

— O que está acontecendo aqui é um a guerra do tráfico, como em todo o Litoral. Grupos de Porto Alegre e Região Metropolitana estão invadindo a área e executando os grupos locais, tanto é que 80% dos homicídios estão ligados ao tráfico de drogas — relata o delegado.

Acredita-se que seja uma migração dos traficantes para o Litoral, buscando mais pontos de venda e aumentar a lucratividade obtida com a venda de drogas. Quando um local é definido como estratégico, não há negociação. Os invasores agem com violência, e, geralmente, com mais poder de fogo, matam quem se nega a sair. 

— O bairro Indianápolis (onde a chacina de sexta ocorreu) é de classe média, com muitos moradores, e esse ponto de tráfico destoava do normal - comenta o policial.

Apesar do alto número de casos, os inquéritos que apuram os homicídios estão quase todos já encerrados pela delegacia local. Dos 34 homicídios, 27 já foram solucionados, com pessoas presas pelos crimes. A estimativa é que 90% deles estão diretamente ligado ao tráfico de drogas. 

— O problema é que estamos sempre enxugando gelo. Prendemos, e eles logo estão soltos. A batalha é desigual, já que o número deles (bandidos) só cresce e a nossa defasagem é histórica - desabafa Perez. 

O comando local da Brigada Militar concorda com a avaliação dos colegas da Polícia Civil. De acordo com o subcomandante do 2º Batalhão de Patrulhamento em Áreas Turísticas, major Tiago Carvalho Almeida, até o último final de semana, havia reforço no policiamento com os alunos que estavam em fase de conclusão do concurso da Brigada. Além disso, o Pelotão de Operações Especiais de Capão da Canoa constantemente é deslocado para o município. 

— A situação não é diferente de outros municípios. A gente tem trabalhado bastante no combate, no sentido de frear a disputa que vem ocorrendo. Todos os dias apreendemos porções de drogas; - comenta o major. 

Investigação da chacina
A investigação sobre a chacina que deixou quatro mortos e três feridos aponta que nenhum deles era o alvo inicial dos bandidos. Os agentes da polícia local entendem que o real alvo era o proprietário da casa, que não estava no momento da invasão e do ataque. Como os assassinos não o encontraram, mataram para não perder a viagem as pessoas estavam na residência - que funcionava como um ponto de consumo e venda. 

O alvo dos bandidos é um homem que supostamente é traficante na região, e que teve dois irmãos assassinados recentemente. O objetivo dos rivais seria liquidar as vendas dele no bairro, tomando de vez o controle do tráfico. 

Morreram no local Fábio Luis Bandeira, de 36 anos, Tábata Prosasko Linck, 30 anos, e Rodrigo Seaia Motta, 41 anos. Rogério Pereira Feijó, 34 anos, foi socorrido ao Hospital de Tramandaí, mas morreu em atendimento na madrugada deste sábado. Ainda ficaram feridos três homens de 51, 38 e 28 anos.

Gaúcha
 
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