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    - Atualizado em 19/05/2017 8h04

    Deflagrada 2ª fase da operação que investiga construção de túnel para fuga do Presídio Central

    Plano para escapar foi descoberto em fevereiro

    Um dos mandados está sendo cumprido em Campo Bom

    Foto: Cid Martins /Rádio Gaúcha

    O Departamento de Investigações do Narcotráfico (Denarc) deflagrou na manhã desta sexta-feira (19) a segunda fase de uma operação que investiga a construção de um túnel para fuga em massa do Presídio Central, que hoje tem o nome de Cadeia Pública. Ao todo, 70 policiais cumpriram 11 mandados de busca e sete de condução coercitiva em oito municípios gaúchos. O objetivo dos novos depoimentos é obter mais provas sobre a participação desses novos investigados, bem como a ligação deles com os quatro detentos considerados mentores e com as nove pessoas que foram presas após a descoberta do plano, em fevereiro deste ano.

    A segunda fase da chamada “Operação Santo”, que descobriu o túnel de 47 metros, foi realizada nos municípios de Porto Alegre, Canoas, Alvorada, Gravataí, Novo Hamburgo, Campo Bom, Sapiranga e Montenegro. Nessas cidades residem seis pessoas ligadas aos quatro presos que financiaram pelo menos R$ 1,5 milhão para que o túnel escavado garantisse a fuga, pretendida durante o Carnaval, de pelo menos mil presidiários. O envolvimento de uma sétima pessoa, que foi conduzida para depor hoje, também está sendo apurado. Todos integram ou tem algum tipo de relacionamento com a facção criminosa que tem base no Vale do Sinos e que ocupa o pavilhão B do Presídio Central.

    O titular da 3ª Delegacia do Denarc e responsável pela operação, delegado Rafael Pereira, diz que chegou até estas pessoas conduzidas para depor hoje através de investigações que comprovaram ligações delas com os mentores e com os executores da obra.  

    - O objetivo agora é ouvir estas seis pessoas, saber a real participação delas no caso, como era o contato delas dentro da prisão e com os pedreiros que cavavam o túnel, além de confrontar o que vão depor com as provas que temos – ressalta Pereira.

    Previamente, o Denarc acredita que essas seis pessoas eram uma espécie de ligação entre os presos considerados mentores e os executores. Sobre o sétimo envolvido, Pereira pretende se manifestar somente após o depoimento dele. A investigação continua, até por que não se descarta a participação de mais suspeitos e acredita-se que os quatro presos responsáveis pela obra poderiam fugir para o Paraguai. Além disso, a polícia apura que o grupo financiou as escavações através de roubos a bancos e de veículos, lavagem de dinheiro e tráfico de drogas. Outro fato apurado é a possível cobrança de valor para fuga de presos que não fossem ligados ao comando da facção ou até mesmo de outros grupos criminosos.

    Inquérito

    Apesar da apuração policial ainda não ter terminado, já que novas informações devem ser obtidas após a segunda fase da ação ter sido deflagrada hoje, os nove envolvidos na construção do túnel já foram indiciados pela polícia e denunciados pelo Ministério Público por organização criminosa e facilitação de fuga de presos. Sete homens e uma mulher foram detidos no túnel, sendo que quatro dele têm antecedentes criminais. Outro envolvido no caso foi preso no mesmo dia em Sapucaia do Sul.

    Uma casa ao lado do presídio foi comprada pelos mentores do plano e era deste imóvel que partia o túnel em direção à cadeia. Faltavam cerca de metros de comprimento para chegar ao pátio. Após 85 campanas na região, a polícia confirmou que um GPS de alta precisão e uma bússola foram usados para garantir todas as metragens calculadas. A polícia estima que as escavações iniciaram em outubro do ano passado. Este foi considerado um dos maiores planos de fuga de um presídio no Brasil.

    Gaúcha
     
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