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    - Atualizado em 10/09/2015 12h32

    Especialistas avaliam fatores que levaram o Brasil a ser rebaixado pela S&P

    Gastos desnecessários e falta de confiança são os principais motivos apontados

    Na prática, Brasil deixa der considerado bom pagador e seguro para investir

    Foto: Ronaldo Bernardi /Agencia RBS

    Após rebaixamento da nota de investimento do Brasil concedido pela agência de classificação de risco Standard & Poor's (S&P), economistas avaliaram o que provocou a retirada do grau e os reflexos a longo prazo para o país. Para entender os efeitos dessa estimativa, o Gaúcha Atualidade desta quinta-feira (10) conversou com dois especialistas na área. 

    Para o economista Roberto Troster, doutor em economia pela Universidade de São Paulo (USP) e coordenador do curso de Banking da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (FIPE), o grande agravamento da crise se deve ao acúmulo de gastos desnecessários.

    "Você vai piorando a qualidade, o último ponto foi o orçamento negativo. Você começa a gastar - e toda sociedade é cúmplice disso - com coisas que não precisam, por exemplo: 12 estádios ao invés de 8, quando poderia estar se investindo em hospitais, escolas e coisas que contribuem para o futuro. Decidem fazer um estádio em Manaus, que nem sequer tem uma tradição futebolística.  É como no ditado popular: quem gasta o que não precisa, acaba vendendo o que precisa", disse.

    Troster também criticou a falta de vontade política por parte do governo de mudar a situação, ressaltando que, mesmo trabalhando com dois ministérios de economia, o  Congresso, que tem várias pendências, não apresenta um projeto predominante para o país, quando é preciso "focar em crescer".  

    Além das críticas aos gastos com a Copa do Mundo de 2014, Troster também falou sobre o sistema de Universidades Públicas do Brasil. Para ele, o modelo é desnecessário e não gera recursos para o país. 

    "Quem não pode pagar a faculdade privada financia, minha sobrinha foi estudar na Inglaterra e parte do dinheiro ela pagava com serviços na própria universidade. Se eu faço uma universidade pública, minha renda esperada aumenta. Porque a sociedade dá isso pra alguns? Sendo que a maioria dos alunos que entra nas instituições públicas teve condições de estudar em colégios privados", explicou.

    Já o economista-chefe da Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul), Antônio da Luz, apesar de ressaltar o bom desempenho da agricultura no PIB do Estado, declarou-se "muito triste com a situação que o país está vivendo". Para ele, o país não apresenta grau suficiente de desenvolvimento para crescer.

    "Isso é o mínimo que um país tem que ter, e nós perdemos esse rating, que começou a ser construído em 1995 quando equilibramos a economia brasileira. Para isso, também pagamos a conta, porque é muito caro também para a sociedade ter uma economia estável, e fomos alcançar a estabilidade somente em 2008. Então para alcançar um bom grau de investimento se leva muito tempo, e agora perdemos isso", destacou.

    Antônio da Luz também lembrou a falta de confiança gerada na ecocomia do país, que é um dos principais fatores que devem ser superados. 

    "Na vida dos brasileiros, há dois ou três anos atrás, tiravámos os extratos do banco e o que víamos? Ofertas de uma série de linhas de financiamento, a juros de 2% ao mês, dependendo do perfil do cliente, mais ou menos. O que vemos hoje? Esse mesmo extrato, com o banco oferecendo aquele mesmo recurso a 5, 6%. Isso é falta de confiança, risco de não receber", exemplificou.

    Sobre o aumento de impostos, criticou a falta de postura do governo: 

    "O problema é que o governo anuncia o aumento de impostos e indica também que vai cortar gastos: mas o aumento de impostos é certo, e os cortes acabam virando especulação. Não se vê na prática, e isso não agrada ninguém".

     
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