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    - Atualizado em 20/03/2017 19h51

    Governo suspende exportação por empresas investigadas, mas mantém venda no Brasil

    Restrição valerá durante fiscalização especial que deve durar 3 semanas

    O ministro da Agricultura, Blairo Maggi, concedeu entrevista nesta segunda-feira

    Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom /Agência Brasil

    O ministro da Agricultura, Blairo Maggi, anunciou nesta segunda-feira que as 21 empresas citadas na Operação Carne Fraca foram proibidas de exportar seus produtos. A restrição valerá durante uma fiscalização especial, que deve durar três semanas. A venda dentro do Brasil, no entanto, está autorizada. O ministro não explicou o motivo da diferença de critérios sobre as vendas internas e externas.

    Os reflexos da investigação da Polícia Federal (PF) já foram sentidos no início desta semana pelo mercado internacional. União Europeia, China, Coreia do Sul e Chile anunciaram restrições na compra de produtos brasileiros. O Ministério da Agricultura deu início a uma série de reuniões com representantes dos países compradores para evitar mais prejuízos.

    “O desafio é mostrar que o nosso sistema não foi quebrado, ele teve um problema pontual. O nosso sistema funciona, e é checado permanentemente”, afirmou Maggi.

    Segundo ele, o aumento no número de embargos seria um “desastre”. “A China é um grande importador, a União Europeia é um cartão de visita nosso. Eu penso, eu rezo, eu trabalho para que isso (embargo) não venha a acontecer”, completou o ministro.

    No caso da China, os embarques foram suspensos por uma semana, e os produtos que já chegaram ao país ficarão retidos. A Coreia do Sul determinou o bloqueio dos carregamentos de frango da empresa BRF. Já a Comunidade Europeia restringiu a compra somente dos estabelecimentos implicados na fraude. Na América do Sul, a reação mais forte até o momento foi do Chile, que anunciou a suspensão temporária da importação.

    Maggi disse que prestará todos os esclarecimentos necessários para evitar rompimentos comerciais, mas, no caso do Chile, admitiu que poderá adotar medidas mais severas, caso o país deixe em definitivo de comprar carne brasileira.

    “Nós somos grandes importadores de produtos do Chile (peixes e frutas) e os produtores brasileiros vivem reclamando que deveríamos criar barreiras. O comércio é assim, não tem só bonzinho. Comércio é feito a cotovelada, se eu tiver que ter uma reação mais forte com o Chile eu terei", prometeu o ministro.

    O Brasil espera receber pedidos de esclarecimentos de ao menos 30 países sobre as suspeitas apuradas pela PF. O ministro garante que não haverá interferência no trabalho policial, mas quer garantir a manutenção das vendas para o Exterior.

    De acordo com o ministro, o sistema de controle da qualidade dos alimentos produzidos no país é seguro, mas não é infalível. "Não há motivo para preocupação em si. Nosso sistema está funcionando. O que ocorreu é um desvio, e essas pessoas estão afastadas", afirmou, em referência às superintendências de Goiás e do Paraná.

    O ministro acredita que não haverá necessidade de recolher produtos nos supermercados brasileiros. Segundo ele, a investigação ocorre há dois anos, e os itens sob suspeita já devem ter sido comercializados e consumidos.

    “Já estamos a campo, nos supermercados, coletando amostras destes produtos, mandando para laboratórios e, obviamente, se nós identificarmos qualquer problema, nós vamos orientar o recolhimento”, finalizou.

    Os lotes dos produtos sob suspeita não foram divulgados.

    Gaúcha
     
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