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- Atualizado em 17/05/2013 15h21

Ministério Público denuncia 12 suspeitos da fraude do leite em Ibirubá

Em Guaporé, dois empresários já foram denunciados

Laudo confirmou contaminação de poço usado por suspeitos de fraude
Foto: Cid Martins  / Agência RBS

O Ministério Público ofereceu à Justiça em Ibirubá a denúncia de 12 suspeitos da fraude do leite com água e ureia. São empresários, funcionárias de posto de resfriamento, produtores rurais e o representante de uma cooperativa. Seis estão presos preventivamente desde a semana passada na cidade, após a Operação Leite Compen$ado. O promotor Mauro Rochenbach denunciou o grupo por formação de quadrilha e adulteração de produto alimentício. Três são acusados também por lavagem de dinheiro.
Os denunciados são João Cristiano Pranke Marx, Angelica Caponi Marx, João Irio Marx, Alexandre Caponi, Daniel Riet Villanova, Paulo Cesar Chiesa, Arcidio Cavalli, Rosilei Geller, Natalia Junges, Cleomar Canal, Egon Bender e Senald Wachter. Pela denúncia, entre dezembro de 2012 a maio de 2013, todos se associaram para adulterar o leite in natura. Três transportadores se uniram na fraude, segundo o promotor Mauro Rochemback. A investigação segue na cidade e mais pessoas podem ser denunciadas nas próximas semanas.
De acordo com a investigação em Ibirubá, os transportadores adicionavam ureia e água contaminada, como comprovou a análise feita pelo laboratório da Universidade do Vale do Taquari (Univates) sobre as amostras colhidas num poço usado por suspeitos de fraudar o leite. A propriedade é de João Irio Marx, que está preso. Ele é sócio com o filho em transportadora que coletava leite nas propriedades rurais. O laudo revela que a água não era tratada e apresentava coliformes fecais. 
Saiba mais:
Em Guaporé, o promotor Mauro Rochemback apresentou à Justiça na quarta-feira a primeira denúncia da Operação Leite Compen$ado. Na cidade da Serra, ele denunciou os donos de uma empresa de transporte, Leandro Vincenzi, e o pai dele, Luis Vincenzi. Leandro está preso preventivamente. O pai também é acusado pelo Ministério Público de ajudar na fraude de adição de água e ureia no leite. Eles são sócios-proprietários da empresa LTV Indústria, Transporte e Comércio de Laticínios Ltda e estão sendo acusados pelo crime de adulteração de produto alimentício.
Na semana que vem, o Ministério Público promete novidades nas investigações sobre a fraude do leite em outras cidades gaúchas. Nesta primeira etapa, a operação ocorreu em Guaporé, Ibirubá e Horizontina.

Ouça a entrevista com  Mauro Rochemback no Gaúcha Repórter desta sexta-feira

O que diz o MP sobre a fraude em Ibirubá

A denúncia do Ministério Público aponta João Cristiano Pranke Marx (sócio-proprietário da Crisma Transportes Ltda juntamente com Angelica Caponi Marx) e Daniel Riet Villanova (médico veterinário e representante da cooperativa Confepar, que utilizava o posto de resfriamento da Marasca Comércio de Cereais Ltda para o recebimento de leite) eram os responsáveis pelo esquema de adulteração do leite. João Cristiano adquiria ureia e gerenciava a compra da mistura química utilizada, fazendo os contatos entre todos os participantes do esquema e definindo a função de cada um na cadeia criminosa. Daniel era o intermediador e encarregado do recebimento do leite no posto de resfriamento da Marasca, fazendo "vista grossa" para a adulteração.
Angelica Caponi Marx, além de ter adquirido ureia, administrava toda a organização criminosa, oferecendo suporte ao marido, João Cristiano Pranke Marx; ao sogro, João Irio Marx; e ao irmão dela, Alexandre Caponi. Ela fazia os contatos telefônicos e repassava ordens aos integrantes da organização. 
O denunciado João Irio Marx (sócio da empresa Transportes Marx Ltda ao lado do filho, João Cristiano Pranke Marx) também adquiriu ureia. Em um galpão de madeira localizado nos fundos da casa dele, ocorria o armazenamento dos produtos químicos, a preparação da mistura e adição da substância proibida, juntamente com a água retirada de um poço artesiano, aos tanques dos caminhões que ali chegavam. 
Alexandre Caponi (irmão de Angélica Caponi Marx), Arcídio Cavalli e Cleomar Canal (sócios da empresa Três C Transportes Ltda) também contribuíam e participavam ativamente da cadeia delituosa. Além de fornecerem suporte e apoio logístico ao esquema fraudulento, adicionavam a mistura nos tanques dos caminhões da empresa e faziam o transporte do produto adulterado. Documentos e notas fiscais comprovam que Arcídio Cavalli adquiriu 382,5 mil quilos de ureia. Como sócio da Rádio CBS Ltda, ele também franqueava a emissora aos demais denunciados a fim de facilitar o contato entre o grupo. Quando um integrante do esquema oferecia uma música sertaneja para um dos comparsas estava, na verdade, estava orientando a forma de proceder da adulteração. 
Paulo Cesar Chiesa, um dos sócios da Transportadora Irmãos Chiesa Ltda, participava do esquema como parceiro dos denunciados João Cristiano Pranke Marx e Daniel Riet Villanova, dando ordens, preparando e adicionando a mistura nos caminhões. Rosilei Geller e Natália Junges, ambas funcionárias do posto de resfriamento instalado nas dependências da Marasca, agiam por ordem de Daniel Riet Villanova como facilitadoras do esquema criminoso, exercendo o papel de informantes da quadrilha, repassando dados, fazendo contatos telefônicos e avisando os motoristas dos caminhões sobre fiscalização do Ministério da Agricultura. 
Egon Bender tinha ciência da adulteração de leite praticada pela quadrilha e fornecia a quantia mensal de 1,2 mil litros de leite a João Cristiano Pranke Marx, mesmo não possuindo nenhuma vaca em sua propriedade e estando inativo desde 2010. Senald Wachter, produtor rural, fazia parte da organização fornecendo leite adulterado a João Cristiano. 
Entenda o Caso
Nove pessoas foram presas na Operação Leite Compen$ado, realizada pelo Ministério Público (MP) no interior do Rio Grande do Sul. No início do ano, foi descoberta uma fraude que pode causar problemas de saúde. De acordo com os promotores, atravessadores adicionavam ureia no leite para mascarar a adição de água durante o transporte entre a propriedade rural e as indústrias. As análises comprovaram a presença de formol, substância cancerígena. A operação foi realizada nas regiões de Horizontina, Ibirubá e Guaporé. Está proibida a comercialização de leite de vários lotes de sete marcas: Hollmann, Goolac, Só Milk, Italac, Líder, Mumu e Latvida.
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