A
     
     
     
     
     
     
    - Atualizado em 26/01/2015 15h13

    Morte de tartarugas no Litoral Sul preocupa ambientalistas

    Em dois meses, 350 animais foram encontrados mortos desde a Lagoa do Peixe até a Barra do Chuí

    Galeria de imagens

    Em dois meses, 350 tartarugas das espécies verde, amarela e de couro foram encontradas mortas desde a Lagoa do Peixe, em Tavares, até a Barra do Chuí, na divida do Brasil com o Uruguai. O número considerado alarmante faz parte do monitoramento realizado no Litoral Sul do Estado por pesquisadores da Universidade Federal de Rio Grande (Furg) e do Núcleo de Educação e Monitoramento Ambiental (Nema).

    Em novembro, foram encontradas mortas 124 tartarugas: 90 da espécie amarela e 34 da verde. Em dezembro, o número subiu para 226: 139 amarelas, 76 da espécie verde e ainda 11 tartarugas-de-couro – criticamente ameaçadas de extinção. A média é de seis tartarugas encontradas mortas por dia.

    Segundo o biólogo do projeto Tartarugas do Mar, Sérgio Estima, a mortandade está relacionada a dois fatores principais. Os animais marinhos se enroscam nos anzóis e redes utilizados pelos pescadores. Além disso, ingerem acidentalmente o lixo jogado no mar. Um estudo realizado no Estado mostra que 85% das tartarugas-verdes encontradas no Litoral Sul possuem lixo no estômago.

    “É um indicativo do problema e nós somos responsáveis por esse lixo. Muitas podem vir ao óbito por causa desse conteúdo que fica alojado no trato digestivo”, disse o biólogo.

    O projeto Tartarugas do Mar também desenvolve ações para mapear as zonas de conflito entre as redes de pesca e as tartarugas. Ainda estão sendo distribuídos os chamados anzóis circulares – que evitam a captura acidental. Os ambientalistas oferecem gratuitamente 250 anzóis para o teste dos pescadores. Caso gostem, mais 250 são distribuídos.

    “O anzol circular reduz em até 60% a captura das tartarugas e, por sua vez, a mortalidade. Hoje, em Rio Grande, quase 60% da frota de espinhel pelágico estão utilizando, voluntariamente, este anzol. O pescador não tem interesse em capturar tartarugas”, completou.

    Na beira da Praia do Cassino não é difícil encontrar tartarugas mortas. Quando ocorre, a cena chama a atenção dos veranistas. A pelotense Isabela Pereira, de 13 anos, estava passeando com a família, quando avistou um animal morto.

    “É muito fácil a gente andar na praia, comer um sorvete e jogar o papel na areia. A gente também acha legal ver tartarugas e peixes nadando, mas será que para isso não temos que cuidar mais a natureza?”,disse.

     
    Comentários