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    - Atualizado em 06/01/2017 11h50

    Polícia quer ouvir agressores de morador de rua nesta sexta-feira

    Um dos suspeitos tem passagem policial por crimes relacionados a entorpecentes, ameaça e lesão corporal

    Com a identificação de dois dos três seguranças de uma igreja que agrediram um morador de rua no último sábado, no bairro Floresta, em Porto Alegre, a Polícia Civil pretende intimar os suspeitos para prestar depoimento ainda nesta sexta-feira. De acordo com o titular da 3ª Delegacia de Polícia da Capital, Hilton Müller Rodrigues, um dos agressores tem passagem pelo Presídio Central por crimes relacionados a entorpecentes, além de ocorrências por ameaça e lesão corporal. Como vítima, o outro suspeito já identificado tem um registro de ferimento por arma de fogo.

    "A princípio, eles (seguranças) praticaram lesão corporal", afirmou em entrevista ao Gaúcha Atualidade. "(Temos que) apurar, a partir daí, se houve outro crime".

    Imagens de câmaras do supermercado Zaffari, em frente ao local em que o morador de rua foi agredido, já foram solicitadas para as investigações. No vídeo publicano pelo Poa24hs, os três seguranças aparecem dando golpes de cassetete e chutando a vítima. Eles são terceirizados e trabalhavam na segurança da igreja Assembleia de Deus, localizada a 200 metros do ponto da agressão.

    A polícia ainda apura se a empresa era de zeladoria — sem autorização para uso de armas — ou de segurança, que teria autorização. De qualquer modo, conforme o delegado Hilton Müller Rodrigues, os suspeitos "saíram da sua área de atuação".

    "Sem dúvida nenhuma, eles saíram da sua área de atuação. Não são funcionários daquele supermercado (Zaffari). Estavam até bem distantes do local de trabalho deles. Isso não justificaria de forma nenhuma o ato defronte à própria igreja", diz.

    A empresa para a qual os seguranças trabalhavam não informou qualquer possível motivação para a agressão à polícia. O delegado diz que a terceirizada também pode ser responsabilizada "se tiver participação" no crime.

    "(É preciso) saber se eles agiram de 'mão própria' ou se foram induzidos ou obrigados a fazer isso por parte da empresa."

    Edson Luiz Walhbring é catador de lixo conhecido pelos moradores da região pelo apelido de Alemão Foto: Paulo Rocha / Agência RBS

    A vítima, Edson Luiz Walhbring, 25 anos, é catador de lixo conhecido pelos moradores da região pelo apelido de Alemão. Na quinta-feira, ele afirmou que foi acusado de furtar um corrimão do prédio da Assembleia de Deus. Edson nega a acusação.

    O morador de rua já foi detido por roubo anteriormente, e encaminhado ao Presídio Central. Edson respondeu a mais dois inquéritos policiais: um por porte de drogas e outro por uso de armas de fabricação manual. 

    "Problema social grave"

    Com anos de experiência à frente da 17ª Delegacia de Polícia, localizada na Rua Voluntários da Pátria, onde diversos moradores de rua transitam todos os dias, Hilton Müller Rodrigues afirma a população sem-teto em Porto Alegre vem aumentando. O delegado classifica a questão como um "problema social grave" e defende a intervenção da Prefeitura da Capital. 

    "Ou o Estado assume esse papel de retirar essas pessoas e dá uma assistência social importante, ou este tipo de crime vai continuar. A degradação nesta região é muito grande", afirma.

    Lotado na 3ª DP, Rodrigues conta os policiais vêm sendo procurados para resolver problemas relacionados a moradores de rua que dormem e fazem necessidades fisiológicas em frente a estabelecimentos comerciais. O delegado ressalta, no entanto, que não é função das polícias lidar com a retirada da população sem-teto.

    "Esse é o papel dos órgãos de assistência do município" aponta. "Não achamos que seja correto retirar essas pessoas à força, mas o Estado tem que dar uma solução para isso. Essas pessoas são tanto autores como vítimas da criminalidade".

    Zero Hora
     
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