A
     
     
     
     
     
     
    - Atualizado em 09/09/2015 8h39

    Região Metropolitana registra milésimo homicídio em 2015

    Desde o início do levantamento de homicídios, em 2011, o índice jamais havia sido alcançado tão cedo

    Até o começo da noite de ontem, pelo menos 1.000 pessoas já haviam sido mortas

    Foto: Adriana Franciosi /Agencia RBS

    Quando, na manhã de terça-feira (8), foi confirmada a morte do comerciante Elvino Nunes Adamczuk, 49 anos, os números da violência na Região Metropolitana bateram em um índice alarmante. Havia sido ultrapassada a barreira dos mil assassinatos na região desde o começo do ano. Até o começo da noite de ontem, pelo menos 1.000 pessoas já haviam sido mortas. As informações são do Diário Gaúcho

    A marca jamais havia sido alcançada tão cedo, com uma alta de 6,2% em relação ao que era observado no mesmo dia de 2014. No ano passado, que até então era considerado recorde em homicídios na Região Metropolitana, a marca das mil vítimas foi alcançada no dia 24 de setembro. Nos três anos anteriores, somente em novembro.

    Mil assassinatos:
    2011 - 27 de novembro
    2012 - 4 de novembro
    2013 - 24 de novembro
    2014 - 24 de setembro
    2015 - 8 de setembro 

    Tráfico

    "É um número preocupante e bem acima do que poderíamos considerar aceitável. Mas estamos apurando a motivação desses crimes e verificamos que a maioria tem relação com o tráfico de drogas, em acertos entre criminosos. A partir daí, estamos agindo para conter essa alta com maior presença policial", afirma o comandante do policiamento da Capital, tenente-coronel Mario Ikeda.

    Prioridade

    Segundo Ikeda, o déficit histórico de efetivo acaba influenciando no tempo de resposta da Brigada para evitar os crimes, mas garante que há prioridade às zonas em que há guerra entre traficantes.

    "Por isso, observamos mais confrontos dos criminosos com policiais. Eles são ousados e tendem a reagir quando o policiamento consegue se antecipar", avalia o oficial.

    Procurado pela reportagem, o diretor do Departamento de Homicídios da Capital, delegado Paulo Grillo, não se manifestou sobre o assunto, em virtude do movimento dos delegados contra o parcelamento dos salários. Neste início de setembro, porém, o departamento atendeu a uma média de quatro casos de homicídios consumados por dia. Um recorde na cidade.

    Na Capital

    Só em Porto Alegre, aconteceram pelo menos 410 assassinatos desde o começo do ano - o maior índice para o período desde 2011. Entre os casos com motivação definida, 70% estão relacionados ao tráfico de drogas ou acertos de contas entre criminosos. No entanto, em pelo menos seis casos, as vítimas, como o comerciante Elvino Adamczuk, foram atingidas por balas perdidas.

    Elvino foi ferido na mesma ocorrência em que dois PMs acabaram baleados ao tentarem conter um grupo de assaltantes no Bairro Menino Deus. Houve tiroteio pelas ruas da região.

    Alvorada já chega aos 100 homicídios

    No começo da tarde de ontem, um suspeito de roubar um caminhão na zona norte da Capital morreu em confronto com a Brigada Militar no Bairro Passo do Feijó, em Alvorada. Ele ainda não havia sido identificado até o começo da noite de ontem. Uma pistola foi apreendida com o homem.

    O homicídio fez Alvorada ultrapassar as 100 mortes violentas no ano. Em 2014, que terminou com 156 homicídios na cidade - o ano mais violento de Alvorada desde o começo do levantamento - essa marca havia sido atingida no dia 13 de setembro.

    Os PMs monitoravam o caminhão carregado, que havia sido levado da região do Porto Seco e tinha como destino provável o Bairro Americana, onde seria descarregado para o roubo da carga. O caminhoneiro e um ajudante foram levados como reféns. No momento da abordagem, o criminoso teria aberto uma das portas do veículo e atirado contra a viatura. Os PMs revidaram.

    Resolução

    "A alta segue uma tendência nacional que só poderá ser travada com maior rigor na legislação. A maioria dos homicídios envolve, como autores e vítimas, pessoas com antecedentes que poderiam estar presas, mas são beneficiadas pela lei branda. Nosso esforço é para manter altos índices de resolução dos crimes para que o Judiciário possa condenar os responsáveis", afirma o diretor de polícia metropolitano, delegado Marcelo Moreira.

    Chacinas

    Só nesta primeira semana do mês, aconteceram duas chacinas em Alvorada, resultando em seis mortos. Na tarde de quinta, em plena rua, Douglas Bicca Nery, Alexsandro de Almeida e Róbson Lopes Pinheiro foram executados no Bairro Intersul.

    Já no começo da noite de sábado, Anderson Pedroso França, 21 anos, Sílvio Cedirisse Pacheco, o Tchaca, 33 anos, e o adolescente William Matheus Carneiro da Silva, 16 anos, foram executados com mais de 60 tiros de pistola 9mm em uma casa do Bairro Maria Regina. Apesar do horário, em torno das 20h30min, a polícia não encontrou testemunhas do caso.

    Os crimes são apurados pela Delegacia de Homicídios da cidade, que não revela detalhes das investigações em virtude do protesto dos servidores pelo parcelamento dos salários.

    Dois meses com começo violento

    A exemplo do que já havia acontecido no começo de agosto, quando o salário dos servidores foi parcelado pela primeira vez, e aconteceram as paralisações na área da segurança, a arrancada de setembro foi a mais violenta já observada na Região Metropolitana desde 2011, quando o Diário Gaúcho começou o levantamento.

    Foram 47 assassinatos em oito dias. A mesma média – próxima a seis casos por dia – dos primeiros dias de agosto. Para o comandante do policiamento da Capital, tenente-coronel Mario Ikeda, ainda não é possível relacionar o aumento dos crimes à falta de policiamento nas ruas devido ao protesto dos servidores.

    "No momento, não é possível essa análise. Só conseguiremos entender isso depois de investigados caso a caso", aponta.

    Procurada, a Secretaria da Segurança Pública informou, em nota oficial, que, “por padrão, não comenta dados que não são de fontes oficiais”.

     
    Comentários