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    - Atualizado em 07/03/2014 10h47

    Só vamos reverter racismo com punição a clubes, diz procurador-geral de Justiça

    Árbitro Márcio Chagas foi ofendido após apitar partida do Gauchão em Bento Gonçalves

    Márcio Chagas foi alvo de racismo no jogo Esportivo x VEC, na Serra

    Foto: Diego Vara

    O procurador-geral de Justiça do Ministério Público Estadual (MPE), Eduardo de Lima Veiga, afirmou nesta sexta-feira (7) estar perplexo com os atos racistas contra o árbitro Márcio Chagas da Silva, na partida entre Esportivo e Veranópolis, na última quarta em Bento Gonçalves. Veiga declarou que o problema só será revertido quando os clubes passarem a ser punidos.

    Segundo ele, o MPE irá pressionar a Federação Gaúcha de Futebol (FGF) para penalizar os envolvidos no ato, lembrando ainda a grande repercussão que o fato recebeu. O procurador defendeu uma punição severa para o ato racista, já que um torcedor que arremessa um objeto dentro de campo é punido. 

    “O mundo todo está olhando para Bento Gonçalves. Alguns cidadãos de Bento sabem quem fez isso, já que não se cometem atos assim de forma secreta ou impune", afirmou em entrevista ao programa Gaúcha Atualidade, da Rádio Gaúcha.

    O Ministério Público deve solicitar à polícia a instauração de um inquérito para identificar os torcedores que invadiram o estacionamento privativo do estádio Montanha dos Vinhedos e cometeram os atos de vandalismo.

    O árbitro já havia sido alvo de racismo em 2005, na partida do Encantado contra o Caxias, no mesmo estádio. Na época, o técnico Danilo Mior, do Encantado, chamou Márcio Chagas de "negrão coitado". Márcio relatou em súmula e Danilo acabou suspenso por 60 dias pelo tribunal da Federação Gaúcha de Futebol (FGF).

    Também em entrevista ao Gaúcha Atualidade, o prefeito de Bento GonçalvesGuilherme Pasin, destacou a necessidade da punição pelo ocorrido. "O clube está trabalhando para identificar essas pessoas. Quem presenciou o fato tem que ajudar".

    Racismo em partida do Gauchão
    Em entrevista ao programa Sala de Redação, na quinta-feira, o árbitro emocionou-se ao falar sobre o caso de racismo no jogo em Bento Gonçalves. Ele relatou que foi ofendido desde o início da partida. “Alguns torcedores manifestaram de forma racista, como macaco, teu lugar é na selva e volta pro circo”, lamentou. 

    Ao final do jogo, Márcio Chagas se dirigiu ao estacionamento privativo do clube, onde só a equipe de arbitragem e funcionários do clube têm acesso, e encontrou seu carro com a lataria arranhada e bananas em cima do veículo.

     

     
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