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    - Atualizado em 17/05/2017 22h40

    Temer é gravado dando aval para compra do silêncio de Cunha, diz jornal

    Donos da JBS entregaram o material ao ministro Edson Fachin em delação premiada ainda não homologada

    Foto: Antonio Cruz /Agência Brasil

    Os donos da JBS, Joesley e Wesley Batista, gravaram o presidente Michel Temer dando aval para a compra do silêncio do deputado cassado Eduardo Cunha (PMDB-RJ). As gravações foram oferecidas ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Edson Fachin na quarta-feira passada (10) em delação premiada ainda não homologada. As informações são do jornal O Globo.

    Na gravação, de acordo com o jornal, Temer indica a Joesley o deputado Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR) para resolver um assunto da J&F (holding que controla a JBS). Em outra gravação, Rocha Loures foi filmado recebendo uma mala com R$ 500 mil enviados por Joesley.

    De acordo com o jornal, Temer e Joesley se encontraram no Palácio do Jaburu em 7 de março por volta das 22h30min. Na conversa, que durou cerca de 40 minutos, Temer também ouviu do empresário que estava dando a Eduardo Cunha e ao operador Lúcio Funaro uma mesada na prisão para ficarem calados. Diante da informação, Temer incentivou: "Tem que manter isso, viu?".

    Aos procuradores, Joesley disse que não foi Temer quem solicitou o pagamento da mesada, mas que o presidente sabia dos pagamentos.

    Esta e a primeira vez que a força-tarefa da Lava-Jato fez "ações controladas" — em um total de sete — para obter prova flagrante. A ação foi adiada para que a polícia conseguisse um momento mais oportuno para o avanço da investigação.

    O delator também disse que o ex-ministro Guido Mantega era o seu contato com o PT para o pagamento de propinas. Mantega também cuidava dos interesses da empresa no BNDES.

    O senador Aécio Neves também foi gravado, pedindo R$ 2 milhões a Joesley. O dinheiro foi entregue a um primo do presidente do PSDB, numa cena filmada pela Polícia Federal. A PF rastreou o caminho do dinheiro e descobriu que eles foram depositados numa empresa do senador Zeze Perrella (PMDB-MG).

    CONTRAPONTOS

    Michel Temer
    Em nota, o Palácio do Planalto afirmou que o presidente "jamais solicitou pagamentos para obter o silêncio do ex-deputado Eduardo Cunha". "Não participou e nem autorizou qualquer movimento com o objetivo de evitar delação ou colaboração com a Justiça pelo ex-parlamentar. O encontro com o empresário Joesley Batista ocorreu no começo de março, no Palácio do Jaburu, mas não houve no diálogo nada que comprometesse a conduta do presidente da República", diz o texto. "O presidente defende ampla e profunda investigação para apurar todas as denúncias veiculadas pela imprensa, com a responsabilização dos eventuais envolvidos em quaisquer ilícitos que venham a ser comprovados", conclui.

    Aécio Neves
    Zero Hora está tentando contato com a assessoria de imprensa do senador, mas ainda não teve retorno.

    Eduardo Cunha
    À Rede Globo, a defesa do ex-presidente da Câmara dos Deputados afirmou que não vai comentar o caso.

    Guido Mantega
    Zero Hora está tentando contato com a assessoria de imprensa do ex-ministro, mas ainda não teve retorno.

    Zero Hora
     
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