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    - Atualizado em 19/05/2017 7h09

    Polícia aponta quatro presos como principais mentores da construção de túnel para fuga do Presídio Central

    Segunda fase da operação policial foi deflagrada nesta sexta-feira

    Foto: Ronaldo Bernardi /Agencia RBS

    Após deflagrar na manhã desta sexta-feira (19) a segunda fase da operação que investiga a construção de um túnel em fevereiro deste ano para fuga de pelo menos mil detentos do Presídio Central (hoje chamado de Cadeia Pública), a Polícia Civil divulgou os nomes dos quatro principais mentores e financiadores do plano. Todos são integrantes de uma facção criminosa que tem base no Vale do Sinos e que gastou pelo menos R$ 1,5 milhão na obra. Os investigados, juntos, têm condenações de mais de 300 anos de reclusão.

    Segundo o delegado Rafael Pereira, titular da 3ª Delegacia do Departamento de Investigações do Narcotráfico (Denarc), Tiago Benhur Flores Pereira, o Benhur é considerado o principal mentor do esquema e ainda é o “prefeito” da facção dentro do Pavilhão B do Presídio Central. Outros dois presos que financiaram a obra são Fabrício Santos da Silva, o Nenê, e Antônio Marco Braga Campos, o Chapolin. Este último foi investigado pela Polícia Federal por tráfico internacional de drogas, é apontado como mandante de vários homicídios e já foi transferido do Central para a Penitenciária de Alta Segurança de Charqueadas (Pasc). Por fim, o quarto preso apontado como um dos principais líderes deste caso é Fábio Roberto Souza Nunes, o Capa, o antigo “prefeito” da facção no Pavilhão B.

    Pelos cálculos da polícia, Benhur tem cerca de 150 anos de condenação, Chapolin tem em torno de 100 anos, Capa tem outros 29 anos e Nenê mais 35 anos . O delegado Pereira diz ainda que, em um segundo escalão, também estão envolvidos um detento da Penitenciária Estadual do Jacuí (PEJ), em Charqueadas, e um ex-presidiário que estava em liberdade e que, durante um assalto, foi morto no final do ano passado por uma vítima de roubo de veículo.

    Contatos

    Os mentores do ousado plano de fuga têm ligação com alguns dos nove presos durante a escavação do túnel (a primeira fase da operação Santo) e com a maioria dos sete suspeitos conduzidos coercitivamente para depor hoje no Denarc (a segunda fase da operação). Rafael Pereira destaca que nem todas as informações puderam ser repassadas durante a investigação para evitar que suspeitos fugissem. Em relação aos presos no dia em que o túnel foi descoberto, sete homens e uma mulher estavam no local, além de uma última pessoa detida horas depois em Sapucaia do Sul. Um deles, Ezequiel Conceição, foi apontado por gerenciar a obra, cujo nome já havia sido divulgado anteriormente.

    Com a sequência da investigação, a polícia descobriu que o tio de Benhur foi um dos presos no túnel, bem como o genro do Capa. Além disso, nas escavações foi encontrado comprovante de depósito da única mulher presa no local para a mulher do Capa. O delegado Rafael Pereira ainda revela que foram encontradas diversas fotos dos investigados após apreensão de celulares. São imagens deles com drogas, com armas, trabalhando no túnel e indo de Kombi até a casa que adquiriram.

    Segunda fase da Operação

    Cerca de 70 agentes cumpriram hoje 11 mandados de busca e sete de condução coercitiva em oito cidades gaúchas: Porto Alegre, Canoas, Alvorada, Gravataí, Novo Hamburgo, Sapiranga, Campo Bom e Montenegro. O objetivo foi justamente apurar o envolvimento destes suspeitos conduzidos hoje até o Denarc com os mentores e com os presos durante a escavação do túnel. Em princípio, eles eram os responsáveis por fazer o contato entre apenados e pedreiros.

    Inquérito

    O Denarc ainda não concluiu o inquérito sobre a escavação, mas os nove presos na época do fato já foram indiciados pela polícia e denunciados pelo Ministério Público por organização criminosa e facilitação da fuga de presos. A investigação continua para saber se há mais envolvidos, como o dinheiro foi movimentado para custear a obra e para comprovar que os quatro líderes fugiriam para o Paraguai. Além disso, a polícia estima que as obras começaram em outubro do ano passado.

    - Este foi considerado um dos maiores planos de fuga de um presídio no Brasil, ainda mais por que nossa apuração continua e valores, número de envolvidos deve aumentar – ressalta o diretor de Investigações do Denarc, delegado Mario Souza.  

    Gaúcha
     
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